Mundo Estranho
Parte 3

Idril não conseguia acreditar no que via... ali na sua frente, um jovem que nunca havia visto, machucado e sujo de terra e folhagens... ficou atônito...
Quando Anoril abriu os olhos lentamente, viu apenas a silhueta de uma pessoa, pensou que havia morrido, e que um anjo veio buscá-lo, pois viu uma luz brilhante, e então desmaiou...
Mesmo assustado e com o coração acelerado, Idril não pesou duas vezes, e se ajoelhou próximo ao corpo de Anoril, conferiu se aquele jovem respirava, e se havia algum ferimento mais grave. Confirmou que estava vivo, e apesar de vários arranhões, nada de mais grave havia acontecido, o que foi um milagre, pensou.
Rapidamente foi até a nascente do rio, tirou a seu casaco e cuidadosamente a molhou na água, voltou e começou a limpar o rosto de Anoril, e a cada passada ficava hipnotizado pela imagem que via, a pele branca e macia, os machucados não eram graves, e foi então que percebeu uma sacola ao lado, e com cautela abriu para saber o que continha, e quando viu, caiu para traz espantado, eram as amoras amarelas, pouco tinha se visto aquela cor no vale onde moravam, pois era muito raro crescer qualquer flor naquele lugar árido e quase sem vida.
Então Idril teve uma ideia muito maluca, foi correndo até a sua casa para buscar cobertas, queria ajudar aquele que havia caído da montanha, seu coração estava acelerado, estava tão atordoado que nem lembrara de colocar o tapa olho. Assim que chegou em casa, correu para pegar as cobertas, não havia ninguém em casa, pois todos saíram para a colheita das raízes fortes, sorte a sua, pois não seria preciso dar explicações para aquela correria toda.
Quando voltou ao local da queda, não havia mais nada ali, teria sido a sua imaginação? Foi quando ouviu um barulho vindo de um arbusto, com cuido de aproximou, Anoril estava ali, encolhido e com muito medo.
Para não o assustar, se aproximou devagar, sentou-se no chão, e estendeu a mão, e foi então que se entreolharam... o que fez os seus corações baterem mais fortes ainda, se não fosse pelo som das aves e do vento embalando as poucas folhas das arvores, seria possível ouvir o bater no mesmo ritmo...
Em retribuição aquele gesto de ajuda, Anoril, com cautela, segurou a mão que oferecia ajuda, e ao se aproximar viu que a luz brilhante que antes havia visto, vinha do olho do seu salvador, e o deixou mais hipnotizado.
E sem trocarem uma palavra, Idril, arrumou as cobertas no chão, para que o jovem machucado pudesse deitar-se de forma mais confortável, e assim fosse possível verificar os ferimentos, ele conhecia algumas raízes que eram medicinais, e saiu para buscá-las.
Anoril então começou a observar aquele lugar, não era nada parecido com o vale onde morava, as arvores eram velhas e com poucas folhas, a grama era rala e com uma cor roxa escura, mas não estava mais com medo, se sentia estranhamente reconfortado.
Retornando da busca pelas raízes medicinais, aquele salvador de olho brilhante, macerou as raízes e fez uma pasta, e foi passando nos ferimentos, e quando se olharam novamente, Idril sentiu uma estranha sensação em seu estomago, e foi seduzido por aqueles olhos cor de violeta...
E foi naquele momento que uma chama começou a crescer dentro deles, um sentimento desconhecido para ambos...

